A
Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa deve votar nessa
terça-feira (18) o projeto de lei que proíbe a venda de cães e gatos em petshops
e clinicas veterinárias. A proposta de autoria do deputado Luiz Fernando Guerra
(PSL) veta o comércio dos animais tanto em lojas físicas quanto online. Somente
criadores registrados serão autorizados para fazer a reprodução e venda.
A
ideia é reduzir o número de canis clandestinos, no Estado, e garantir mais
qualidade de saúde e bem estar aos animais que servem de matrizes e aos
filhotes que serão vendidos. “Os consumidores ajudarão na fiscalização, já que
irão até os criadores e poderão ver de perto o local e os pais dos filhotes”, explicou
o autor.
O
projeto original estabelece uma série de critérios aos criadores como controle
de sanidade, infraestrutura adequada e segurança aos animais e profissionais
que cuidam. Também prevê campanhas de adoção consciente e combate aos maus
tratos.
CRIAÇÃO
RESPONSÁVEL – “A proibição da venda nos petshops ou sites
não é para punir as lojas, e sim dar mais qualidade de vida aos animais. Os
filhotes ficam expostos em espaços minúsculos por horas seguidas, sem contato
com outros animais, sem local adequado para as necessidades básicas”, afirmou o
autor. “Além de que muitas vezes vêm de canis clandestinos, onde as matrizes sofrem
mal tratos”, completou.
A
médica veterinária Amanda Mendes de Araújo classifica como “irresponsável” a
exposição dos filhotes nas lojas. “Não é saudável para um animal ficar expostos
em vitrines o dia todo. Uma criança não aguentaria, por quê o animal deve
aguentar?” questiona.
Amanda
ressalta que a proibição da venda nos
petshops será um grande avanço para a saúde e bem estar animal. “Muitas lojas são abastecidas pelo que
chamamos de ‘fábrica de cachorros’, canis clandestinos, sem fiscalização e que
deixam os animais só para reproduzir, muitas vezes sem nem ao menos água”, disse.
“Infelizmente muitos petshops não conhecem
a procedência do animal e incentivam os canis a continuarem na ilegalidade”, completou.
Para
Guerra, tendo a regulamentação para a venda, a perspectiva é que os criadores tenham mais responsabilidade
com a reprodução. “As atividades dos petshops continuarão como de costume. A
lei não prejudica o negócio, fortalece aquilo que já pregam: saúde do animal”, garantiu
o deputado.
VENDAS
ONLINE- O texto também impede a venda online dos cães e gatos em
território paranaense para evitar que os animais sejam sedados para poderem ser
entregues via ônibus ou avião. “O animal corre risco de morte caso seja medicado
incorretamente. Sedativos são fatais”, garantiu a médica veterinária.
TENDÊNCIA
MUNDIAL- A proibição de venda de cães e gatos segue a tendência mundial.
O estado da Califórnia (EUA) foi o primeiro estado norte-americano a proibir a
venda dos pets em lojas de animais; no Reino Unido a proibição está sendo
aprovada por 95% da população. Recentemente o facebook, maior rede social com 2,6 bilhões de usuários
atualizou a política comercial para restringir a venda de animais nas páginas,
grupos ou perfis de qualquer usuário.
A Petz, rede de petshop com mais de
80 estabelecimentos no Brasil, também já anunciou o encerramento da
comercialização de animais em todas as lojas.
CURITIBA
E RMC- Somente nesse ano, a Delegacia de Proteção ao Meio
Ambiente (DPMA) da Polícia Civil do Paraná já resgatou cerca de 300 animais de
11 canis clandestinos em Curitiba e Região Metropolitana. Segundo matéria divulgada
na Gazeta do Povo, 14 cães foram encontrados doentes e machucados em um canil
clandestino em Piraquara, 43 cachorros foram apreendidos em um local irregular
na região Norte de Curitiba e 17 cães da raça yorkshire vendidos
clandestinamente pela internet foram resgatados.
